
COBERTURAS
A cobertura é uma
das partes mais importantes de uma construção, e seu custo normalmente varia entre 8 a
12% do total da obra. Para definir o tipo de cobertura, deve-se considerar não só o
estilo desejado mas também todos os aspectos climáticos da região onde a edificação
será erguida. Na época do Brasil colonial, por exemplo, áreas de muita chuva
beneficiavam-se com o telhado em estilo colonial, em que os beirais formam um ângulo
obtuso com a estrutura principal, proporcionando maior velocidade à água e conduzindo-a
para longe das paredes laterais, o que evita a corrosão.
O tipo normando, acabado com telhas de ardósia ou barro, com
grande inclinação e várias águas - muito usado em regiões com clima frio, como o sul
do país ou Campos do Jordão (SP) - também tem sua origem no clima. Na arquitetura
medieval normanda, o objetivo desse telhado era impedir que a neve ficasse sobre as
telhas. Em cidades como São Joaquim (SC), esse modelo pode até desempenhar tal função,
mas em outros locais do Brasil ele está muito mais ligado à estética. Quando elaborado
com telhas de ardósia, é recomendável usar uma subcobertura, geralmente feita com
chapas de alumínio, para evitar infiltrações.
Devido à grande inclinação, o telhado em estilo normando exige
ainda um cuidado especial: a amarração das telhas, que devem ser presas com um fio de
cobre, evitando deslizamentos. Em áreas de muito vento, as peças também devem receber
um tipo de amarração especial, feito com fio de arame galvanizado reforçando o
tradicional encaixe nas ripas. Qualquer que seja o material usado na amarração,
revisões e manutenção periódicas são obrigatórias.
No caso de beirais aparentes em locais de intensa circulação de
ar, é recomendável fazer um forro para que o vento não entre por baixo das peças,
levantando-as, mesmo que elas disponham de uma ligação especial.
Nas edificações situadas em regiões quentes, o beiral é uma
boa alternativa para inibir a ação direta e constante do sol sobre qualquer parede
externa, devendo ser observada legislação de zoneamento vigente. Em São Paulo, por
exemplo, a lei considera beirais com mais de 60cm como áreas construídas. Além disso,
deve-se estar atento também à possibilidade de cada tipo de telha: conforme o tamanho da
peça, pode-se proteger beirais de até 2m. Em alguns casos, há ainda possibíliade de
ser construída uma varanda, quando o telhado, além de proteger as paredes, cria um
ambiente externo.
A ventilação é outro ponto importante em áreas quentes. Em
geral, as telhas que exigem maior inclinação determinam a formação de um grande
colchão de ar entre elas e o forro, o que por si só garante o conforto térmico. As
telhas de fibrocimento, muitas vezes, vêm acompanhadas de polietileno, instaladas nos
vãos entre a cumeeira e as águas, permitindo a saída do ar. Para manter o isolamento
térmico, uma boa solução é a colocação de lã de vidro e de rocha, com 1 polegada de
espessura, entre a cobertura e o forro.
Um fator que também deve ser levado em consideração é a
localização do terreno em relação aos centros comerciais. A substituição ou
reposição de um produto grande e pesado pode ser bastante difícil, além de onerosa.
No caso de lajes aparentes, é fundamental a execução da
impermeabilização, que pode ser executada, por exemplo, com uma capa de argamassa com 1%
de inclinação, além de um eficiente sistema de captação de águas pluviais.
O telhado mais tradicional nas residências brasileiras apresenta
telhas de barro e estrutura de madeira. É importante adotar a madeira seca, um pouco mais
cara, porém evita-se empenamento. A verde precisa ficar secando por 6 meses em local
coberto, antes de ser utilizada. Deve-se também mantê-la protegida contra cupins e
fungos, com um banho de imunizante. Há ainda a opção por estruturas metálicas, que
oferecem a vantagem da resistência à ação de cupins e ao apodrecimento. No entanto,
seus preços são elevados e seu peso é maior. A madeira continua liderando as
preferências em estruturas residenciais, imperando a peroba-rosa e o ipê, consideradas
como acabamentos de qualidade e, por isso, mais caras, e o angico-preto e o jatobá,
madeiras mais baratas, duras e com boa resistência ao apodrecimento e ataque de insetos.
Se as medidas básicas para a obtenção de um bom madeiramento
forem observadas, o telhado, desde que esteja livre de infiltrações, nunca apresentará
problemas.
Dependendo da telha, a estrutura terá uma determinada
inclinação, garantindo o escoamento das águas pluviais. A cobertura plana é a mais
adotada no país, mais ainda existem a cilíndrica e a cônica.
Como deve ser calculado o caimento:

Para cada metro
linear de base do telhado, a inclinação sobe um percentual que pode ser convertido em
centímetros. Assim, 50% equivalem a 50 centímetros de rampa por metro.
As telhas podem ser de barro, madeira, metal, ardósia,
fibrocimento ou concreto, em vários modelos. Cada tipo requer uma inclinação
específica (ver dica a esse respeito).
As de barro, as mais utilizadas, proporcionam bom conforto
termoacústico. Se adotadas em projetos com pé-direito amplo, podem dispensar o forro, o
que não acontece com as de concreto, que ainda são mais pesadas.
As de fibrocimento suportam vãos maiores com inclinações
menores; com grandes dimensões, exigem uma estrutura com pouca madeira para apoio. Como
seu isolamento termoacústico é menor, é recomendável a execução de forro ou laje.
As de ardósia, com formato retangular ou de losango, são
pequenas, requerendo um bom madeiramento.
As metálicas são mais utilizadas em estruturas industriais; se
empregadas em construções residenciais, devem ser acompanhadas por mantas de lã de
vidro para proteção termoacústica.
Na hora da compra, é sempre interessante acrescentar 5 a 10%
para substituições futuras.
Fonte: Revista Arquitetura &
Construção - abr/93.
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