
CONSTRUÇÃO
DE ADEGAS
Uma adega pode
ser comparada a um quarto de dormir: deve ficar na penumbra, ser silenciosa e não
apresentar odores. Isso porque sua maior atração - o vinho - exige uma série de
cuidados específicos na sua conservação, ao contrário de outras bebidas como
destilados, licores ou aperitivos, que são mais resistentes a alterações de luz,
temperatura e som. Para tanto, é necessário observar os os seguintes aspectos:
local - os lugares mais
apropriados são aqueles distantes das fontes de calor como tubulações de água quente,
fogão e motores (estes, ainda tendo como agravantes a vibração das máquinas), além
dos próprios raios solares. A implantação mais favorável é na face sul das casas ou
no seu cômodo mais sombrio. É fundamental que a adega, independentemente das suas
dimensões, tenha uma boa aeração, impedindo assim o acúmulo de umidade e o
conseqüente surgimento de fungos e bolores.
uso e dimensões - é
importante definir o que se espera da adega. Se, além da armazenagem de bebidas,
deseja-se que o local também se destine a reunir os amigos para uma degustação, é
necessário isolar esta área de convívio da dos vinhos, uma vez que a presença
constante de pessoas interfe no seu "descanso" (quatro pessoas causam um aumento
de temperatura de até mais de 1ºC). Numa antecâmara podem ficar os vinhos de consumo
imediato, que dispensam maiores atenções, separada, se possível, da câmara da adega
por um pequeno corredor, permitindo assim a manutenção de cada ambiente com sua própria
temperatura. As portas devem receber vedação adequada (com a colocação de fitas
adesivas de borracha esponjosa nas juntas, por exemplo) e molas para o fechamento. Em
relação às dimensões, num pequeno espaço de 2 x 1m chegam a caber 400 garrafas.
materiais - para
neutralizar o barulho externo, as paredes devem ser revestidas com materiais de bom
isolamento acústico, como a cortiça e a espuma de poliuretano. Também o poliestireno
expansível (EPS) pode ser utilizado, tendo em vista suas características de isolamento
térmico, além de evitar a invasão de formigas e cupins. A própria construção da
adega pode ser feita com materiais que já atendam satisfatoriamente a essas necessidades,
tais como tijolos maciços de barro e pedras.
armazenamento - o ar
quente está sempre no alto; portanto, as garrafas de vinho tinto devem ser colocadas na
parte de cima das prateleiras, e, mais abaixo, as de vinho branco. Devem ser evitados
nichos para duas fileiras de garrafas (frente e fundos), pois uma interferirá no descanso
da outra ao ser manuseada. Quanto às prateleiras, as de madeira (como o cedro maciço e o
pinho, fáceis de ser trabalhados e resistentes ao apodrecimento e aos insetos) são as
mais comuns. Existem várias formas de montá-las, mas o importante é que elas tenham uma
pequena inclinação para a frente, permitindo manter o líquido em contato com a rolha,
impedindo a sua evaporação e seu contato com o oxigênio. Outra alternativa interessante
é a colocação de nichos formados por blocos cerâmicos vazados.
temperatura e umidade - a
temperatura é a alma e o grande segredo da adega. Ela deve ser fria (em torno de 12 a
18ºC), e as oscilações não devem ultrapassar 0,5ºC, sob pena de comprometer o
processo de envelhecimento do vinho. Em locais mais quentes, a manutenção dessas
temperaturas pode requerer o uso de condicionadores de ar específicos para adega, pois os
comuns estão, normalmente, dimensionados para funcionar a 22ºC, temperatura altíssima
para as bebidas. O equipamento de climatização trabalha ininterruptamente, retirando
todo o ar quente através do evaporador, instalado dentro da adega, e lançando ar frio
pelo compressor, colocado na parte externa da casa. Ele mantém os níveis exatos de
temperatura e umidade, outro fator muito importante na conservação dos vinhos. A umidade
relativa do ar adequada é em torno de 70%. Quanto à iluminação, deve-se optar pelas
lâmpadas de baixíssima potência.
limpeza - não devem ser
usados produtos de odor forte, pois podem ser absorvidos pelo vinho, a longo prazo, o que
alterará seu sabor. Basta água e sabão neutro ou mesmo um pano seco ou espanador.
Fonte: Revista Arquitetura &
Construção - mar/93.
|