CONSTRUÇÃO DE SAUNAS

     Existem dois tipos de sauna: a seca e a úmida. Funcionando como um eficiente tratamento de pele e com efeitos terapêuticos, sua construção é relativamente simples, como abaixo descrito.

     ÚMIDA
     A área mínima necessária é de 1,5m². As paredes e o forro devem ser revestidos com azulejos, de preferência brancos, para favorecer a visibilidade. Na argamassa sob o revestimento, é recomendável acrescentar vermiculita, um mineral em flocos que proporciona isolamento térmico. A proporção é de 2 partes desse material para 1 de cimento e 1 de cal, e a espessura da camada aplicada deve atingir 2,5cm.
     Embora o teto tenha altura padrão de 2,30m, recomenda-se deixar uma inclinação de 10% em relação ao seu ponto mais alto, no sentido contrário ao da bancada, evitando que as gotas de água pinguem sobre as pessoas ali sentadas. Para o piso, o mais adequado é a cerâmica corrugada antiderrapante, embora pedras como mármore e granito também possam ser utilizadas (e até mesmo nas paredes), desde que recebam tratamento antiderrapante. Deve ser previsto um caimento para o ralo (de 10 x 10cm).
     O banco, com altura média de 45cm e largura de 50cm, pode ser construído em alvenaria ou madeira (como cedro ou mogno), e não deve ter degraus. É sob ele que ocorre a entrada do vapor, através de um tubo de 3/4", com um cotovelo direcionando o vapor para baixo.
     Para a iluminação, uma única arandela de plástico ou vidro, colocada na parede a 30cm do forro, é suficiente. Ela deve ser blindada, e o interruptor é colocado fora do ambiente.
     A porta, medindo até 0,60 x 2,00m, deve ter sua abertura para fora. Pode ser em aço inoxidável, com estrutura e batente em alumínio anodizado e isolamento térmico interno, ou em vidro temperado. Os batentes devem ser autovedantes.
     O gerador de vapor tem sua potência determinada pelo volume do ambiente: uma área de 4m³, por exemplo, requer um gerador de 6kW, enquanto uma de 30m³ exige um aparelho de 24kW. Pode ser instalado sob o banco (reservando um vão de 60cm para saída do vapor) ou, preferencialmente, fora do ambiente. Nesse caso, deve ser instalado um tubo de aço galvanizado para entrada do vapor, com diâmetro de 1 1/2", posicionado a cerca de 30cm do piso, sendo recomendado colocar um ralo próximo para drenagem da água. Com funcionamento manual ou automático, ele manterá a temperatura entre 45 a 55ºC por 30 minutos e deverá possuir quadro de comando com termostato. Trabalha em baixa pressão e tem alimentação automática de água, feita por meio de bóias convencionais de caixa d'água. Para instalá-lo na rede hidráulica é preciso um registro de gaveta e o ponto de água, com diâmetro de 3/4". Funciona em corrente elétrica monofásica ou trifásica, com número de disjuntores e bitola dos fios variando de acordo com a potência do aparelho, e deve ter as resistências blindadas. É fundamental que o fio terra esteja instalado. Sua manutenção é simples, como se fosse um banheiro comum, embora o gerador deva ser drenado periodicamente para retirada das impurezas.

     SECA
     O ambiente deve ser todo revestido de madeira (preferencialmente, o cerne do cedro ou do mogno), aplicada nas paredes e forro sobre uma camada de lã de vidro. A madeira não deve receber qualquer tipo de tratamento químico contra insetos ou fungos, pois isso poderia gerar gases tóxicos nocivos à saúde. O pé-direito deve ser de 2,30m, medida suficiente para construir uma bancada com até 3 degraus. Para o piso, o ideal é um revestimento lavável, com ralo e um deck removível de madeira. A madeira é uma boa opção para substituir os bancos de alvenaria, com dimensões de 45 x 50cm. As paredes que ladeiam o forno gerador de calor devem ser revestidas com tijolos refratários ou cerâmica.
     Para a iluminação, uma arandela em madeira é suficiente, com o interruptor do lado de fora.
     O ambiente deve ter duas aberturas nas paredes para garantir a renovação do ar e o melhor desempenho dos aparelhos, sendo uma na parte de baixo da parede da porta de entrada e a outra na parte de cima da parede oposta.
     A porta deve ser preferencialmente de madeira, com miolo em lã de vidro, com um ou dois visores e abertura para fora.
     O calor é gerado em um forno de aço carbono, esmaltado em várias cores, e seu tamanho depende da área a ser aquecida. Substituindo as rochas vulcânicas, pedras dolomíticas são colocadas sobre uma grelha, aquecida por resistências elétricas de aço inoxidável e blindadas. A umidade interna do ambiente deve estar em torno de 30%. O forno trabalha em 220V e precisa de um quadro de acionamento e controle de temperatura. Recomenda-se e execução de uma instalação elétrica independente para ele.
     A manutenção consiste em manter o ambiente sempre bem arejado após sua utilização. O piso somente deve ser lavado se for cerâmico ou similar e dispor de deck removível de madeira.
     Como acessório, pode ser instalada uma ducha fria (tipo circular ou cascata) para uso após a sauna.
     Caso não haja espaço disponível para a construção do ambiente, é possível instalar um aparelho no box do chuveiro. Ele é preso na parede, tem capacidade para cerca de 6 litros de água e leva de 10 a 12 minutos para aquecer e iniciar a vaporização. Trabalha com 110 ou 220V, chega a 4.500W de potência e pode ser ligado na tomada ou diretamente na entrada elétrica do chuveiro, desde que a instalação seja compatível.
     Para preservar o vapor no ambiente, é necessário colocá-lo num box fechado até o teto ou instalar uma tampa de acrílico móvel. Sua manutenção consiste em reabastecer o reservatório de água, sempre com o aparelho desligado.

Fonte: Revista Arquitetura & Construção - set/93.

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