
EXECUÇÃO E MANUTENÇÃO DE PISCINAS
O primeiro passo para construir
uma piscina é avaliar o terreno por meio de uma sondagem, o que determinará o tipo de
solo e se há lençol freático no local, permitindo a escolha da estrutura a ser adotada:
concreto armado: profissionais
da construção dizem que é a mais segura, resistente e definitiva. A estrutura é feita
com fôrmas de madeira, preenchidas com ferragens e concreto. Este processo demora de 1 a
2 meses;
alvenaria: feita com tijolos
comuns ou blocos estruturais, é resistente mas pode se movimentar, fazendo surgir
rachaduras. É finalizada entre 7 e 10 dias;
fibra de vidro: é feito um
buraco já na medida da superfície externa da piscina, e colocado um fundo de concreto
magro com no máximo 5cm de espessura. Enquanto a piscina é acomodada, joga-se terra ao
seu redor, compactando-a. Na mesma proporção de terra é colocada água em seu interior.
Se o terreno for muito úmido, faz-se uma caixa de contenção em alvenaria com blocos
estruturais. Com o tempo (após 5 anos), perde a cor, mas pode ser repintada com tinta
epóxi ou gel-parafinado (recomenda-se que isso seja feito pelo fabricante). Sua
instalação é feita em 20 dias, e sua vida útil é de 10 anos;
aço-carbono ou galvanizado:
chapas de aço, parafusadas uma na outra e reforçadas com camadas finas de concreto e
vermiculita, substituem os blocos estruturais, dando o formato desejado à piscina que
será revestida com vinil.
A impermeabilização é necessária para as piscinas de
alvenaria ou concreto armado. As mais indicadas são as de soluções, emulsões e mantas
asfálticas. O impermeabilizante deve ser protegido com outra camada de cimento e areia.
Recomenda-se nunca esvaziar a piscina nem deixá-la com pouca água, pois ela fica exposta
a variações térmicas que podem causar rachaduras ou até comprometer a estrutura da
mesma.
O mercado oferece vários tipos de revestimentos como azulejos,
pastilhas cerâmicas ou de vidro, mármore, granito, tinta epóxi, borracha clorada e
vinil. Os materiais têm que ser lisos, a fim de evitar acidentes, e devem apresentar
baixo índice de absorção de água (entre 0 e 6%).
A profundidade da piscina depende de como e por quem ela será
usada. Para que a água seja aquecida apenas com a luz do sol, a profundidade não deve
ser maior que 1,30m. Em caso de declive, ela pode variar entre 0,60 a 1,60m. A prática de
esportes como o biribol (volei na água) requer profundidade uniforme de 1,50m, enquanto o
pólo aquático exige 1,80m.
A instalação de trampolim necessita de profundidade mínima de
3,50m, por questões de segurança; para escorregador, 2,00m são suficientes.
As escadas tipo marinheiro devem ser instaladas na parte rasa, e
são obrigatórias para piscinas com mais de 0,50m de profundidade. Se houver a
freqüência de idosos, deve-se fazer uma escada de alvenaria submersa em uma das
laterais, para não atrapalhar os esportes aquáticos.
No caso de uso noturno da piscina é essencial a iluminação
subaquática. Os refletores são de cobre, com lente blindada e um tranformador para
reduzir a voltagem de 220 para 12V, evitando o risco de choques. Para que a manutenção
(troca de spots e lâmpadas) possa ser feita sem o esvaziamento da piscina, pode ser
construído um corredor ao redor do tanque, com acesso pela casa de máquinas, ou câmaras
de manutenção específicas para os pontos.
Para a garantia da limpeza e qualidade da água existem diversos
equipamentos, cuja quantidade, tamanho e potência depende da dimensão e do volume de
água da piscina. A maioria dos dispositivos é instalada na casa de máquinas, próxima
à piscina e sempre abaixo do nível da água. Aa normas da ABNT determinam um ambiente
com área 2,5 vezes maior que o espaço ocupado pelas máquinas, pé-direito de 2,30m,
piso lavável com sistema de drenagem e área de ventilação igual a 1/4 da do piso. Os
principais equipamentos são:
skimmers: dreno de superfície
(coadeira) que suga as partículas não decantáveis, como fios de cabelo, insetos e
folhas;
filtro: suas funções
(filtragem, recirculação, lavagem, drenagem e pré-filtragem) são reguladas por uma
válvula. Deve funcionar todas as noites durante 4 a 6 horas. Pode ser feito em aço
carbono (pesado e mais sujeito ao ataque dos produtos químicos), fibra de vidro (mais
durável que o de aço) ou polietileno (mais leves e livres de ataques químicos);
bomba: sempre associada ao
filtro, com modelos centrífugos (necessariamente instalados abaixo do nível da água,
com pré-filtro acoplado com a função de peneirar os detritos maiores antes que alcancem
a bomba) e auto-escorvantes (com poder de puxar a água mesmo estando até 1m acima da
superfície da piscina). São fabricadas em ferro (mais duráveis, embora sujeitas à
ferrugem) ou de polietileno (imunes à corrosão). Ambas podem ser danificadas pela alta
temperatura, caso trabalhem sem água;
dispositivo de retorno:
posicionado na parede da piscina, a cerca de 0,40m abaixo da superfície da água,
direciona e regula a vazão da água que parte da tubulação de retorno. Utiliza-se um
dispositivo a cada 50m³, sendo necessária a instalação de no mínimo dois para
qualquer piscina;
dispositivo de aspiração:
também colocado abaixo do nível da água, nele é conectada a mangueira dos aspiradores
de fundo. Seu posicionamento correto é importante, permitindo que o aspirador atinja toda
a extensão do tanque;
aquecedores: instalado dentro da
casa de máquinas. Existem diferentes linhas específicas para cada tipo de combustível:
» lenha e carvão -
baratos, porém de difícil armazenamento, são mais indicados para sítios e fazendas;
» eletricidade - a
instalação, além de ser cara, requer a elaboração de projeto para troca do sistema
monofásico para trifásico, que deverá ser aprovado pela concessionária de energia. Um
bom aterramento é importante;
» gás - barato, tem
capacidade de aquecimento maior que a eletricidade. Para o uso do gás de rua, a
concessionária local deve ser consultada para autorização da alteração de vazão. No
caso de botijões, é preciso estar atento a possíveis vazamentos;
» sol - é a energia
mais barata, porém incerta. Os equipamentos solares somente funcionam em dias de sol ou,
no mínimo, de mormaço. Consiste na instalação de coletores de cobre ou alumínio,
fechados com vidro ou não, com área total equivalente a 80% (em regiões de clima
quente) ou 100% (nas mais frias) da área da piscina. O local ideal para a instalação é
sobre um telhado próximo, com direcionamento para o Norte (na região Centro-Sul do
país) ou Sul (Norte e Nordeste) para melhor insolação. Com 5 a 6 dias de sol pleno é
possível elevar a temperatura da água a 7ºC acima da ambiente. Seu custo é
aproximadamente o dobro do que um aquecimento a gás, mas sua durabilidade é de 15 a 20
anos;
» bomba de calor -
retira o calor do ar para aquecimento da água, e é colocado entre o filtro e o retorno,
usando a mesma tubulação de PVC da piscina. Em 48 horas de funcionamento, eleva a
temperatura a 30ºC.
Para a manutenção da qualidade da água podem ser utilizados
diversos métodos, a saber:
controle de pH: o pH ideal fica
numa faixa entre 7,2 e 7,4. Uma série de kits encontrados em casas especializadas
permitem verificar seu nível e corrigí-lo com o uso de redutor (bisulfato de sódio e
ácido muriático) ou elevador (barrilha ou soda cáustica);
bactericidas e algicidas químicos:
o bactericida mais utilizado é o cloro, encontrado nas formas líquida, granulada ou em
pastilhas, e cujo nível residual na água deve girar em torno de 1,0ppm. Os algicidas
podem ser de choque (para eliminação de algas já presentes) ou de manutenção, e seu
uso depende do volume da piscina;
cloração automática à base de sal grosso:
sistema elétrico composto por um controlador disposto junto ao filtro, enquanto uma
célula de titânio, suficiente para até 150.000 litros de água, fica dentro da piscina.
Para a produção de cloro é necessário jogar sal grosso na água. Mediante a passagem
de uma corrente elétrica, a célula separa as moléculas que compõem o sal (cloreto de
sódio), transformando-o em cloro, despejado na água, e sódio, retido na célula. A cada
4 horas o sistema é acionado de forma que haja sempre cloro na piscina;
ionização: dispensam o uso de
quaisquer outros produtos químicos, utilizando íons metálicos de cobre e/ou prata para
inibir a formação de algas, fungos e demais microorganismos. Este processo deve ser
controlado rigorosamente para evitar o acúmulo de metais e a corrosão dos equipamentos
metálicos existentes na piscina;
floculação ou clarificação:
empregado para casos em que o filtro não consegue aspirar toda a sujeira e a água
permanece turva. Existem dois tipos de floculação: à base de sulfato de alumínio e
barrilha, dando origem a flocos gelatinosos que aglomeram e decantam a sujeira para ser
aspirada, e um produto que adota polieletrólitos (grande seqüência de moléculas
eletricamente carregadas, emendadas uma na outra). Uma minúscula quantidade deste
material pode reunir milhões de partículas negativas de sujeita num só floco fortemente
agregado, retido pelo filtro;
limpeza manual: os equipamentos
básicos de limpeza são o aspirador (manual ou automático, que funciona até sem motor),
o esfregão (para limpeza dos rejuntamentos) e coadores de plástico rígido e flexível.
O deck não deve ser construído com materiais
escorregadios nem de cores escuras, que absorvem o calor do sol. Os mais apropriados são
os de pedra (goiás, mineira e são tomé ou mármore e granito apicoados). Os tijolos
aparentes são bonitos mas podem esfarelar-se em contato com a água, o que pode ser
evitado com a aplicação de um verniz acrílico a cada 4 anos. No caso das cerâmicas, os
modelos com características antiderrapantes e refratárias são preferíveis, pois não
esquentam com os raios solares. Outra opção é a madeira (jatobá, peroba e ipê são
mais resistentes à umidade), que deve ser impermeabilizada e recoberta com verniz naval a
cada 6 meses.
A cobertura do espaço da piscina pode ser de plástico
retrátil, vidro refletivo laminado ou placas de policarbonato (com estrutura de ferro,
alumínio ou madeira) ou lona inflável, presa ao redor da piscina e inflada com a ajuda
de um exaustor.
Fonte: Revista Arquitetura &
Construção - out/93.
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