
PROTEÇÃO DE MADEIRAS
Os principais inimigos das
madeiras usadas nas construções são:
os ataques de fungos, que causam o apodrecimento da
madeira, desde que algumas condições estejam presentes: a presença de ar, umidade entre
35 e 60% em relação a uma superfície seca da madeira e temperatura entre 20 e 30ºC;
os ataques de cupins e brocas;
a exposição às intempéries (sol e chuva), propiciando
o ambiente ideal para o aparecimento de colônias de fungos e levando a madeira ao
empenamento; além disso, os raios ultravioleta do sol podem fazer com que a peça perca
sua coloração original; em casos mais graves, as fibras ressecam e se corróem.
Mesmo as madeiras de lei, que contam com recursos próprios de
proteção, carecem de tratamentos especiais para evitar a ação de fungos, insetos e
intempéries. Quando se trata de espécies de reflorestamento, esses cuidados devem ser
redobrados. Abaixo estão descritos os problemas mais comuns e os tratamentos indicados
para cada caso.
FUNGOS - depois de pronta para o uso, já na sua
forma definitiva, a peça é tratada na autoclave, um container cilíndrico com cerca de
1,90m de diâmetro e 24m de comprimento. Nele, a peça recebe produtos preservativos que
atuam na madeira em nível celular.
CUPIM - neste caso, o tratamento é feito
basicamente a partir de produtos inseticidas. Muitos deles são produzidos com resinas
hidrorrepelentes, que evitam a absorção da umidade, dificultando também o
desenvolvimento de fungos. As fórmulas mais completas possuem resinas fixadoras para
manter o inseticida na fibra da madeira por anos. Estes inseticidas agem também contra
brocas e carrunchos. Para a aplicação destes produtos a madeira deve estar limpa, seca e
livre de qualquer tipo de acabamento. Para garantir proteção eficiente, é recomendável
que todas as superfícies, inclusive as não expostas, recebam o inseticida.
A aplicação destes produtos imunizantes pode ser feita através
de várias maneiras, a saber:
pincelamento - usando um trincha
ou pincel, cobre-se a peça com uma farta demão do produto inseticida até a completa
saturação. Juntas e encaixes, assim como pontos que se apóiam sobre concreto ou
alvenaria, devem receber uma demão reforçada;
imersão - a peça é colocada
num tanque dotado de tampa e calha de drenagem repleto de produto inseticida, onde
permanece por um minuto. Então é depositada na calha de drenagem, onde o produto em
excesso é recuperado. Depois é só secar a peça;
injeção - é o processo ideal
para peças já atacadas. Consiste em injetar, com uma seringa comum, o inseticida nos
próprios orifícios abertos pelos insetos até ficarem saturados.
INTEMPÉRIES - o melhor tratamento são os
stains. Coloridos ou em tonalidades que imitam a do material, são aplicados com pincel,
penetram nas fibras e acompanham o movimento de dilatação e retração da madeira, o que
evita rachaduras. Para conservar, basta aplicar nova demão, sem retirar a anterior. A
maioria dos stains apresenta fungicidas e inseticidas inseridos na sua fórmula.
Com os devidos cuidados, até as fundações podem ser feitas de
madeira. Nesse caso, deve-se preparar o solo com uma manta de polietileno coberta por
cascalho ou pedra britada. A madeira usada para as vigas baldrame deve ser o cerne de
espécies de grande resistência, e o tratamento contra fungos e insetos não pode ser
dispensado. Nos pontos de sobreposição ou de encaixe é recomendável ainda aplicar
betume ou asfalto para evitar acúmulo ou retenção de água.
Para paredes e outros elementos da construção, embora mais
distantes do solo, recomenda-se que as bordas do telhado avancem pelo menos 80cm além das
paredes (beiral). Além disso, nas peças colocadas no exterior da construção, deve-se
usar acabamentos com filtro solar e impermeabilizantes.
Fonte: Revistas Arquitetura &
Construção - jul/93 e abr/96.
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