
ROTEIRO DA ECONOMIA PARA CONSTRUÇÃO DA CASA
Da escolha do terreno aos
acabamentos, a construção pode ter seus custos significativamente reduzidos, desde que o
processo tenha um planejamento e uma organização adequado. As dicas abaixo buscam, de
forma bastante resumida e simplificada, mostrar como:
COMPRA DO TERRENO
se possível, escolher um terreno plano, o que
representará menos gastos com terraplanagem e fundações;
para avaliar o solo, é importante contratar uma empresa
de sondagem; caso o resultado apresente um solo de boa resistência superficial, será
possível utilizar uma fundação tipo sapata corrida (uma laje armada horizontalmente, de
50 a 60cm, em valas de aproximadamente 1 metro de profundidade), que consome menos
concreto;
em um lote acidentado é possível fazer terraplanagem,
mas a necessidade de fazê-la ou não será definida pelo projeto arquitetônico, que pode
tirar proveito da inclinação ou dos acidentes naturais do lugar;
para terrenos em declive, uma solução pode ser a
utilização de uma estrutura independente.
PROJETO
é altamente recomendável investir na contratação de um
arquiteto ou engenheiro civil, informando a este profissional o quanto se pretende gastar
com a construção;
revisar o projeto e esclarecer todas as dúvidas até o
fim. É muito mais fácil e barato solucionar erros e pedir mudanças na fase do projeto
do que derrubar paredes durante a obra;
o telhado é um dos itens mais caros da construção;
mansardas e outros recortes no desenho da cobertura representam mais custos de material e
mão de obra;
concentrar banheiros e cozinha numa mesma área permite
otimizar o uso da tubulação hidráulica necessária;
sobrados geralmente custam menos que casas térreas; com o
mesmo telhado cobre-se o dobro de área construída, além de utilizar-se praticamente o
mesmo tipo de fundação;
a construção de ambientes como adega e salão de jogos
somente devem ser previstos caso sejam realmente utilizados;
uma planta cheia de recortes dificulta a execução do
serviço, requer mais material e representa mais área de pintura;
recortes em pisos de cerâmica, azulejos e outros
materiais de acabamento (para assentamento nos cantos) são fonte de desperdício, pois
dificilmente é possível aproveitar as sobras. Ambientes projetados com dimensões
adequadas às medidas-padrão desses materiais evitam essas perdas.
PLANEJAMENTO
depois que o projeto estiver completamente definido, é
necessário um planejamento da obra. Elaborada em conjunto com o profissional responsável
pela obra, uma planilha pode registrar a ordem de execução dos serviços, duração e
custo de cada fase da obra, evitando-se gastos com mão-de-obra e/ou materiais não
necessários no momento;
o fluxo de caixa deve ser controlado para não correr o
risco de parar a obra por falta de dinheiro (obra demorada é sempre mais cara). Anotar na
planilha todos os gastos e sempre guardar recibos e notas fiscais, pois eles serão úteis
para declaração do Imposto de Renda e para enfrentar eventuais problemas legais;
mesmo que os materiais de acabamento ainda não tenham
sido escolhidos, devem ser anotadas na planilha especificações dadas por quem fez o
projeto, como tamanho, espessura, tonalidade, classe de abrasão e nível de absorção de
água das cerâmicas, o mesmo valendo para outros itens, como madeira e carpete, poupando
tempo na hora de pesquisar e comprar.
CONTRATAÇÃO DE MÃO-DE-OBRA
preferencialmente, somente chamar profissionais conhecidos
ou indicados por amigos ou parentes; se possível, é bom ver um trabalho pronto;
utilizar uma equipe que normalmente trabalha para o seu
arquiteto ou engenheiro pode ser mais cômodo, mas nem sempre sai mais em conta. Caso
outros operários competentes e de confiança sejam conhecidos, verificar com o
profissional responsável pela obra se não há empecilhos, fazer a cotação com os dois
grupos e então decidir;
quando se tem um empreiteiro, é ele o responsável pela
contratação e pagamento de encargos trabalhistas. Se a administração da obra não
contar com esse profissional, é importante estabelecer uma relação contratual por
escrito com os operários, especificando o tipo de serviço que se espera deles, o prazo e
o valor. Não se deve esquecer de recolher o INSS dos trabalhadores, caso contrário esse
valor terá que ser acertado de uma só vez ao requerer o Habite-se à prefeitura,
evitando problemas com a Justiça do Trabalho;
determinar uma forma de pagamento baseada na produção,
estabelecendo assim que o pagamento da mão-de-obra ficará condicionado ao cumprimento de
determinadas etapas e prazos;
COMPRA DE MATERIAIS
pesquisar exaustivamente os preços de materiais e pedir
orçamentos por escrito. Para poupar tempo, verificar se a loja fornece
orçamentos por fax ou e-mail. Fazer a pesquisa levando em conta os parâmetros
estabelecidos pelo profissional que elaborou o projeto, tentando achar a melhor relação
entre qualidade e preço (não esquecendo que, além do custo de construção, há também
um de manutenção, ou seja, materiais de baixa qualidade só são economia a curto prazo,
e em pouco tempo a obra começará a apresentar problemas);
lembrar de incluir o frete na conta da pesquisa, caso
necessário;
às vezes, é possível fechar um pacote para a compra de
uma grande quantidade de materiais numa única loja e, assim, negociar um desconto ou o
pagamento a prazo. A pechincha é regra básica;
tentar, se possível, fazer compras em conjunto caso haja
vizinhos construindo perto. Quanto maior a quantidade de material encomendado, maior o
poder de barganha para negociar preços, além de ser possível dividir os custos de
frete;
conferir se o material entregue na obra é o mesmo
comprado e se está na quantidade certa. Cuidados redobrados devem ser tomados com
material a granel, como areia;
pesquisar também em lojas de materiais de demolição e
cemitérios de azulejos. Neles é possível encontrar muita coisa em bom estado e por um
bom preço (nas capitais onde virou moda materiais de demolição, eles chegam a custar
mais caro que o material novo. A alternativa é procurar em cidades pequenas ou nas
proprias demolições);
a compra antecipada de materiais de acabamento deve ser
feita considerando uma margem de aproximadamente 10% de sobras para cobrir quebras e
consertos futuros;
ACOMPANHAMENTO
é importante acompanhar de perto a obra para ter certeza
de que o planejamento está sendo cumprido e de que não há desperdícios. Caso isso não
seja possível, deve-se escolher um profissional competente e de confiança para tanto.
ESTOCAGEM
observar o prazo de validade de materias como o cimento.
Não deve ser armazenada muita quantidade nem com muita antecedência (a planilha ajuda
essa programação);
o material deve estar protegido da chuva, vento e outras
intempéries. A areia e o cimento têm que ser cobertos, a madeira em local abrigado e com
ventilação. Evitar deixar materiais em caixas de papelão ao relento;
evitar construir no período mais chuvoso de sua região.
ACABAMENTO
evitar comprar materiais da moda; os tradicionais, além
de ser mais baratos, são mais fáceis de repor;
pisos de cimento queimado coloridos podem substituir
mármores e granitos em locais que pedem resistência a um custo baixo. Se não for bem
executado, o piso pode rachar;
paredes internas não precisam de reboco, podendo-se
pintar diretamente o tijolo aparente com latéx, economizando massa e mão de obra. Nas
paredes externas é possível aplicar um reboco feito com areia naturalmente colorida, que
custa o preço do reboco normal e não precisa de pintura. Para maior garantia, pode-se
fazer uma proteção com silicone;
materiais de acabamento nobre mais baratos podem ser
encontrados, junto aos fornecedores, em promoção ou sobras;
seguir a linha da parede no assentamento de pisos e
azulejos consome menos peças; a colocação na diagonal requer mais recortes, implicando
em mais material para cobrir a mesma área;
os azulejos não precisam ir até o teto; as meias-paredes
podem receber um barrado colorido para complementação;
evitar esquadrias desnecessárias, pois, individualmente,
elas são o item mais caro da obra. Elementos vazados podem eventualmente substituir
algumas delas sem prejuízo da iluminação ou ventilação;
no entulho da obra podem existir materiais que podem ser
reutilizados (por exemplo, pedriscos que sobram a cada peneirada de areia podem virar
um caminho no jardim);
se possível, utilizar peças de linha, em
tamanho-padrão, para gabinetes, pias e espelhos.
Fonte: Revista Arquitetura &
Construção - abr/98.
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