
GESSO ACARTONADO
Material
produzido industrialmente e com qualidade controlada, o gesso acartonado integra-se ao
repertório dos profissionais brasileiros em todos os tipos de obra. Alguns arquitetos já
afirmam que quem trabalha com o novo sistema não volta mais para a construção
tradicional.
Muito comuns na Europa e Estados Unidos, os painéis de gesso
acartonado vem ganhando o mercado brasileiro. A procura vem aumentando de 40% a 50% ao ano
e mostra que o material vem conseguindo apagar a imagem de aparente fragilidade,
prometendo tomar o espaço da tradicional alvenaria. Com muitas vantagens.
As placas de gesso acartonado substituem alvenarias e argamassas
de revestimento em uma única operação, permitindo a fácil instalação dos dutos de
água, energia e dados. O sistema consiste, basicamente, em uma estrutura interna que
suporta painel de gesso, formando paredes mais ou menos espessas que podem, inclusive, ser
curvas. Assim, aplicam-se a divisórias ou acabamentos internos, em ambientes diversos,
como cinemas, hospitais, hotéis e banheiros.

Para se obter os
melhores resultados, o ideal, quando se pensa em construção seca com gesso, é que, em
primeiro lugar, tudo seja planejado cuidadosamente, especificando-se os pontos de
instalação de prateleiras, peças sanitárias, pontos de água e de energia, sem
improvisações. Em segundo lugar, é recomendável utilizar o sistema completo para que
ele realmente traga benefícios. "O ideal é que a arquitetura parta junto com a
solução tecnológica", comenta o arquiteto Henrique Cambiaghi.
A partir daí, há uma solução para cada projeto. Montada a
estrutura principal, pode-se colocar uma ou mais placas, fazer tratamento acústico ou
térmico, adicionar reforços necessários para sustentar armários ou pias, verificar
onde serão usadas paredes especiais para umidade ou resistência ao fogo. Terminada a
montagem, a superfície resultante é uniforme, com aparência monolítica, e aceita
qualquer tipo de revestimento: pintura, colagem, cerâmica, pastilhas e até mesmo pedras,
como mármores. Para a isolação acústica são usadas várias placas com os seus vazios
preenchidos com lã mineral . Por fim, para a fixação dos painéis, cada fabricante
disponibiliza de um sistema de buchas e parafusos específico, incluindo pontos de
ancoragem de cargas, que suportam até 30kg por ponto fixo.
Seu uso parece ser ilimitado. A rede de cinemas carioca UCI, no
Rio de Janeiro, o Credicard Hall, em São Paulo, apartamentos residenciais, como o
Condominium Park Ibirapuera e prédios de escritórios, como a Torre Norte, são exemplos
de uso das placas. Elas também dividem ambientes no Via Funchal, em São Paulo, no Senado
Federal, em Brasília, e no museu Guggenheim, de Bilbao.
As vantagens, segundo os fornecedores, são muitas. Por ser leve,
reduz de 10% a 15% as fundações e estruturas, sua execução é mais rápida, diminuindo
a mão-de-obra, e a quantidade de sobras e entulhos é menor, eliminando quebras e
bota-fora de materiais. Além disso, o sistema possibilita a modificação de layout dando
flexibilidade ao projeto e, em alguns casos, proporciona o aumento de área útil, uma vez
que as paredes podem ser mais finas. Some-se a isso o ganho financeiro com a redução do
tempo de obra.
Existem diversos tipos de chapas: normal, resistentes à umidade
e ao fogo. As placas resistentes à umidade são tratadas com produtos hidrofugantes, como
o silicone. Já as resistentes ao fogo possuem aditivos para retardar a liberação de
água da chapa, evitando o colapso da peça. Espessuras, larguras e resistências podem
ser ajustadas de acordo com o projeto. Pode-se aumentar o número de placas, elevando a
resistência mecânica e ao fogo e melhorando a isolação acústica. Um bom exemplo são
as divisórias de cinema, que usam três placas de cada lado e tratamento acústico
especial. No caso de hospitais, por exemplo, há necessidade de um vão maior entre as
placas para acomodar os equipamentos específicos. E existem, também, sistemas concebidos
para isolar salas de raios X. Cada projeto é um caso a ser analisado e, para todo caso,
há uma solução.
A grande novidade nesses sistemas de construção a seco,
entretanto, são os subsistemas disponíveis, que acrescentam algumas vantagens à obra.
Quando o assunto é banheiro pode-se citar o sistema de tubulação flexível para água
(PEX), os plásticos aplicados como pisos, box, peças de fechamento de shafts,
carenagens, sistema de bacia com sistema horizontal, caixas de descarga de embutir e
sistemas de proteção da estrutura metálica interna para evitar o contato do cobre com o
aço.
Na parte elétrica, o mercado já oferece caixas para tomadas e
interruptores desenvolvidas especialmente para o gesso acartonado. Elas possuem formato
adequado ao material, presilhas especiais para prendê-las nas chapas e marcação para se
fazer os furos.
Para os acabamentos existem as argamassas especiais, os laminados
de revestimento (plásticos, melamínicos) e suas colas adequadas. Peças de madeira com
tratamento especial também integram o sistema, funcionando como estrutura interna ou
componentes de reforço para fixação de cargas. Em qualquer caso, a madeira é tratada
para não apodrecer, "dar cupim" ou empenar. Portas e esquadrias também foram
desenvolvidas para o sistema. A maior novidade são as portas prontas que, fixadas com
espuma adesiva, proporcionam um encaixe perfeito.
Para o arquiteto Roberto Candusso, a
implantação deste tipo de tecnologia foi o ponto culminante para a conclusão rápida e
"vencedora" do Hotel Ibis Casa Verde, em São Paulo. A vedação interna do Ibis
ganhou paredes com chapas duplas de gesso acartonado e mantas de lã de vidro para uma
acústica melhor. "Esse sistema gera economia, limpeza e agilidade durante a obra,
sem interferir nas instalações hidráulicas que se adaptam perfeitamente à tecnologia.
O sistema nasceu para inovar o mercado da construção."

No escritório Aflalo & Gasperini Arquitetos, quase todas as
obras usam gesso, principalmente no forro. No Central Towers Paulista (duas torres com
flats e consultórios), o gesso está no forro e nas paredes. Já no projeto Água Branca,
também em São Paulo, as quatro torres de escritórios usarão placas de gesso nos
shafts, paredes internas e forros.
Fonte: Revista Arquitetura & Urbanismo
- out/nov-99.
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