
COMPUTAÇÃO GRÁFICA
APLICADA AO PROJETO
Este trabalho foi apresentado originalmente sob a forma de palestra e
de maneira resumida, no 1º Eiti.com.br - Encontro Internacional de Tecnologia da
Informação Aplicada à Construção Civil, realizado pela NBS Tech no âmbito da Feicon,
em São Paulo, em abril/99. O objetivo de sua divulgação, então como agora, é levar ao
conhecimento dos profissionais que atuam na área de projeto estrutural de concreto armado
e protendido uma ferramenta computacional adequada ao desenvolvimento de um trabalho com
maior segurança, mais qualidade e maior competitividade.
A teoria para elaboração de projetos estruturais de concreto armado
está longe de ser uma teoria exata. O concreto armado é um material heterogêneo,
moldado no local e de comportamento não linear. Por esta razão, ainda temos um longo
caminho a percorrer com o objetivo de oferecer aos construtores ferramentas cada vez mais
adequadas, completas e produtivas.
O Brasil é, no entanto, um país com tecnologia própria e larga
tradição na elaboração de normas técnicas para construções em concreto armado,
tanto para execução propriamente dita como para o projeto. Em termos de
informatização, podemos afirmar que somos um dos países que possuem alto grau de
aplicação na elaboração de projeto estrutural, comparável ao dos países mais
evoluídos do mundo. Estão presentes neste mercado diversos fornecedores de ferramentas,
alguns deles nacionais e outros provenientes do exterior.
A despeito desse panorama, nos animamos a oferecer nosso trabalho como
contribuição ao cenário, levados pela constatação de que os sistemas provenientes do
exterior, principalmente quando se trata das etapas de dimensionamento, detalhamento e de
representação, esbarram no problema de atendimento às normas brasileiras e na
"forma de projetar" característica do Brasil. Os sistemas que praticamos,
genuinamente nacionais, elaborados por engenheiros civis, foram desenvolvidos ao longo dos
últimos 20 anos e têm incorporado nesse período inúmeras solicitações e sugestões
desses profissionais. Se não fosse essa íntima interação com os clientes, os sistemas
não seriam tão adequados, completos e abrangentes como o são atualmente.
Acreditamo-nos, portanto, intimamente ligados ao desenvolvimento de
soluções para atendimento à melhoria da qualidade na elaboração do projeto
estrutural. Assim foi quando desenvolvemos um sistema computacional para projeto de lajes
protendidas e assim está sendo agora com o desenvolvimento do programa de cálculo de
lajes considerando a não linearidade física do material (concreto armado + armaduras).
Esses sistemas estão sendo convertidos para a plataforma Windows, visando ao melhor
aproveitamento das suas vantagens operacionais e tornando-os mais acessíveis e fáceis de
ser utilizados.
Apresentamos neste trabalho conceitos de computação gráfica no
projeto estrutural de edifícios altos (1). Mostramos o lançamento da
estrutura sobre um desenho arquitetônico feito em CAD, os diversos modelos de cálculo
possíveis (convencional, grelha plana e elementos finitos, pórticos plano e espacial), a
verificação de estabilidade do edifício quanto ao efeito de cargas horizontais (vento),
o detalhamento e desenho de armaduras e a integração com outros sistemas que operam na
própria obra para a montagem final da estrutura.
Este trabalho é aplicável principalmente no projeto de edificações
convencionais de concreto armado constituídas predominantemente pelas elementos
prismáticos de vigas, pilares e lajes.
1. Introdução
A elaboração do projeto estrutural de concreto armado exige do
profissional de engenharia uma grande capacitação técnica para a realização da
concepção, análise, dimensionamento, detalhamento e desenho de modelos estruturais
complexos, notadamente para edifícios altos. Cada projeto difere do outro na forma,
dimensões e solicitações, envolvendo trabalhos repetitivos no tratamento das
informações técnicas e extensas operações de cálculo. Além destes fatores, devem
ser considerados também a responsabilidade do engenheiro estrutural envolvida nestes
trabalhos e os exíguos prazos exigidos pelos contratantes.
Além de ser uma atividade complexa, o desenvolvimento do projeto
estrutural de concreto armado pressupõe um processo criativo para a resolução dos
problemas técnicos, econômicos e construtivos que normalmente estão presentes neste
tipo de trabalho. Para a determinação da melhor solução destes problemas, o
profissional geralmente recorre a um processo interativo de soluções onde, para cada
solução pesquisada, são realizadas as tarefas de modelagem, análise, avaliação e
revisão dos elementos estruturais, até que suas características, dimensões e quesitos
construtivos atendam às necessidades do projeto.
Neste ambiente, a computação gráfica surge como uma importante
ferramenta de que o engenheiro estrutural dispõe para o desempenho de suas funções.
Embora os equipamentos de computação gráfica e os sistemas
computacionais estejam, nos dias atuais, bastante desenvolvidos, o projeto estrutural
ainda é realizado através da união das características do usuário às da computação
gráfica (equipamento e sistemas), criando uma nova entidade capaz de elaborar projetos
eficientemente, com rendimento superior do que o trabalho realizado isoladamente. É
importante ressaltar que a computação gráfica ainda não funciona como uma
"máquina de projetar" automática; esta é ainda uma realidade distante.
No processo de projeto estrutural de edifícios altos, o estudo em
conjunto de todos os elementos estruturais é fundamental para a viabilização da
solução desejada. Em função disso, no processo convencional o projetista estrutural
desenvolve o projeto considerando algumas características que abaixo destacamos:
utilização de processos aproximados de análise estrutural
pela dificuldade de modelagem mais exata (volume de informações, prazos etc.);
necessidade de superdimensionamento dos elementos estruturais
para compensação aos processos de cálculo aproximados e redundantes, com o conseqüente
consumo adicional de materiais;
dificuldades para uma interação mais dinâmica com o projeto
arquitetônico. Como as análises estruturais são demoradas, as limitações encontradas
no projeto estrutural não são transmitidas em tempo hábil para o projeto
arquitetônico;
conflitos com outras modalidades de projeto como, por exemplo,
instalações hidráulicas, elétricas e de ar condicionado. Dependendo do tipo da
edificação, as interferências dos elementos estruturais com as instalações são
predominantes na determinação do modelo estrutural escolhido. Por esta razão, a pronta
resposta sobre a adequação da solução estrutural se torna primordial;
adoção de métodos simplificados para verificação da
estabilidade global da edificação ao invés de critérios normalizados
internacionalmente para que os efeitos de segunda ordem não sejam considerados;
extenso volume de informações a ser tratadas com o
conseqüente volume de recursos humanos empregados e possibilidade de ocorrência de erros
nas transcrições destas informações. Normalmente ocorre uma certa perda de
visibilidade das diversas soluções estudadas e, em conseqüência, deficiências no
controle da qualidade do projeto;
custos de projeto não compatíveis com sua remuneração devido
ao volume de análises alternativas que precisam ser estudadas para atendimento das
especificações de projeto;
não atendimento aos prazos exigidos para o projeto. Com prazos
não adequados no atendimento à solução estrutural, todos os demais projetos ficam
comprometidos e, muitas vezes, também a própria execução da obra fica prejudicada pelo
atraso na entrega do projeto.
O uso de ferramentas de computação gráfica permite ao projetista de
estruturas vencer estes problemas de forma satisfatória, com mais agilidade. A
utilização de sistemas computacionais especializados traz como benefícios principais:
projeto de estruturas complexas com menor grau de incertezas,
pela utilização e modelos mais refinados e exatos de cálculo;
transcrição de dados técnicos por meio magnético de e para
outras áreas de projeto, tais como arquitetura, instalações, obra etc;
estudo de soluções estruturais alternativas de maneira
expedita visando a adequação do modelo às necessidades de projeto e melhor solução do
empreendimento global (aspectos técnicos, econômicos, construtivos etc.);
fornecimento de subsídios para o projeto arquitetônico e de
instalações, em tempo hábil, para que estes projetos tenham o normal desenvolvimento;
garantia de atendimento a critérios de segurança, estabilidade
e economia global no consumo de materiais pelo grau de refinamento do modelo estrutural.
Exemplificando, para a solução de um modelo estrutural de um
edifício convencional com 30 pavimentos, 30 pilares e diversas vigas intermediárias,
temos que recorrer à resolução de um sistema linear apenas para vigas e pilares, da
ordem de 10.000 equações, além de milhares de informações sobre geometria, dimensões
e cargas dos elementos estruturais que devem ser alimentadas e validadas. Como a análise
de diversos modelos como este deve ser feita para uma mesma edificação, é fácil
observar a necessidade e as vantagens do uso das ferramentas computacionais envolvendo os
recursos da computação gráfica.
2. Lançamento da estrutura
Embora o edifício como um todo possa ser representado por um modelo
espacial complexo, o lançamento da estrutura é feito de modo simples e intuitivo,
através da definição pavimento a pavimento das fôrmas de concreto armado.
No edifício real, a estrutura trabalha simultaneamente com os
elementos arquitetônicos, alvenarias, revestimentos, tubulações etc. Para que esta
harmonia exista também no projeto, é importante que todos os projetistas da edificação
trabalhem sobre uma base de dados única. Isto é possível com o uso do computador.
Seja a planta de arquitetura, criada através de um sistema CAD, de um
edifício com pavimento tipo dúplex. O lançamento da estrutura é feito em computador
diretamente sobre a planta de arquitetura. Para isso, o projetista estrutural fornecerá
graficamente as seguintes informações por pavimento:
locação dos eixos de vigas;
locação dos pilares;
contornos de lajes;
dimensões de vigas, pilares e lajes;
cargas verticais tais como revestimentos, sobrecargas e
alvenarias.
Estas informações são lançadas através de um editor gráfico
orientado para a tarefa. Repetindo-se este procedimento para cada uma das plantas de
fôrmas que compõem a edificação teremos a definição completa da estrutura, pronta
para ser analisada, dimensionada e detalhada.
3. Análise da estrutura
Um sistema computacional de fôrmas de concreto armado monta uma base
de dados de toda a educação, agrupando geometria e carregamentos. O engenheiro deve
então escolher o modelo de cálculo mais adequado para a estrutura, de acordo com o tipo
de projeto.
3.1. Modelo convencional
O modelo de cálculo mais utilizado em
edificações é o de lajes que se apoiam sobre vigas contínuas, que se apoiam em
pilares. O sistema de fôrmas trata automaticamente este tipo de modelo, distribuindo
informações para os sistemas de cálculo, dimensionamento e detalhamento de vigas,
pilares e lajes. Uma vez lançadas as fôrmas, o projetista obtém:
os comprimentos de vãos e apoios de
vigas para cálculo;
cargas das lajes distribuída nas vigas,
para qualquer formato e condição de contorno de laje;
desenhos de verificação de geometria,
distribuição de cargas das lajes e cargas nas vigas;
desenhos de projeto de fôrmas e
locação de pilares;
arquivos prontos para o cálculo,
dimensionamento e detalhamento de lajes e vigas;
forças normais agindo na estrutura, da
cobertura às fundações;
arquivo para cálculo, dimensionamento e
detalhamento de pilares.
Com estes dados o engenheiro pode
pré-dimensionar também as fundações e verificar se o lançamento inicial da estrutura
está adequado. Com o cálculo automático das lajes, vigas e pilares, determina-se
rapidamente se os esforços e os deslocamentos são aceitáveis ou se há necessidade de
alteração da estrutura.
Se a alteração envolver mudanças no projeto
arquitetônico, tanto o engenheiro quanto o arquiteto poderão trabalhar sobre a mesma
base geométrica.
O modelo convencional de cálculo tem
simplificações que podem resultar em dimensionamento exagerado ou insuficiente em certas
situações. Por exemplo:
para lajes de grandes dimensões e de
formato qualquer o cálculo convencional de lajes retangulares é excessivamente
simplificado;
o que aconteceria se em vez de laje
maciça fosse usada laje nervurada?
a flecha nas vigas influi nos esforços
calculados nas lajes? O modelo de vãos e apoios definido inicialmente nas vigas é real?
qual o efeito do vento sobre a
edificação? A estrutura pode ser considerada estável nas direções principais?
qual a armadura adicional nas vigas e
pilares para suportar a ação de ventos estabelecida pela norma?
3.2. Análise de lajes e vigas
por grelhas e elementos finitos
A discretização das lajes por meio de grelhas
ou por malhas de elementos finitos pode fornecer resultados melhores em lajes de grandes
dimensões. Além disto, todo o piso é calculado por processo matricial, com
deslocamentos verticais de vigas e lajes compatibilizados.
3.2.1. Análise
por grelha
O modelo inicial da
grelha, formado por barras correspondentes às vigas sobre apoios elásticos, é gerado
automaticamente, uma vez que o sistema contém todas as informações da fôrma de
concreto para um determinado pavimento. A discretização das lajes (maciças ou
nervuradas) em barras é feita por editor gráfico específico, para todo o pavimento ou
para algumas lajes.
Para gerar o modelo
interativamente basta cercar as lajes a serem discretizadas, fornecendo a altura da laje e
a carga distribuída. O modelo de grelha permite calcular esforços de torção em casos
especiais (como vigas-balcão) e gerar combinações e envoltórias para pisos com cargas
móveis. Os esforços calculados (incluindo envoltórias) podem ser transferidos
diretamente para o detalhamento de vigas.
3.2.2. Análise
por elementos finitos
Similarmente ao modelo
de grelha, o sistema faz uma discretização das lajes em elementos de placas
(quadrangulares ou triangulares), automaticamente, a partir da dimensão do elemento de
placa fornecida pelo usuário. O modelo por elementos finitos também inclui as barras
correspondentes às vigas do pavimento.
Após a resolução do
modelo estrutural, diagramas de esforços solicitantes e de isovalores de momentos
fletores, torsores e deslocamentos verticais são emitidos.
3.3. Análise de vento por
pórtico plano
A discretização do edifício em
"comboios" de pórticos planos carregados com a ação do vento em duas
direções principais fornece resultados razoáveis em edifícios regulares com pórticos
facilmente identificáveis. Entretanto, como um pórtico plano é uma simplificação de
engenharia, apenas o engenheiro pode fazer esta simplificação, definindo manualmente as
vigas e pilares que compõem cada pórtico.
O carregamento de vento é distribuído no
pórtico diretamente pelo computador, através do fornecimento dos parâmetros de vento
definidos na norma. Os esforços resultantes, na combinação mais desfavorável, são
usados pelo sistema de detalhamento de vigas e pilares.
3.4. Análise de vento por
pórtico espacial
Embora de codificação manual extremamente
trabalhosa, um pórtico espacial pode ser gerado diretamente por computador pois, ao
contrário do pórtico plano, não são necessárias definições de hipóteses
simplificadoras da geometria. Todos os dados necessários de geometria e carregamentos
verticais já estão embutidos na definição da fôrma.
Os pilares são representados por barras
passando pelo centro de gravidade da seção. O apoio das vigas nos pilares é feito
avançando-se o vão em apenas 3% dentro do pilar fazendo com que o apoio não coincida
necessariamente com o centro de gravidade do pilar. Pode-se simular esta situação
gerando ligações rígidas entre a viga e o pilar seja através de barras, seja através
do chamado offset rígido. As barras rígidas são geradas também na variação de
seção dos pilares.
A simulação das lajes do pavimento por grelha
ou elementos finitos, no modelo completo do pórtico espacial, para edifícios elevados
é, atualmente, praticamente impossível com os recursos computacionais disponíveis.
Estas lajes são simuladas como tendo um comportamento de diafragma rígido no plano
horizontal, podendo sofrer deslocamentos nas direções do plano da laje, devido ao
movimento de corpo rígido e à rotação vertical de todo o pavimento.
O vento, assim como no pórtico plano, é
simulado através de cargas concentradas horizontais em cada pavimento. Para obtenção do
valor da carga horizontal em cada pilar/pavimento fornecem-se apenas a direção e o
sentido de atuação do efeito de vento e dos parâmetros estabelecidos em norma, tais
como velocidade básica, coeficiente de arrasto, fator topográfico etc. Esta simples
operação pode ser repetida para diversas direções em edifícios de contorno irregular
criando, automaticamente, diversos casos de carregamento para serem analisados.
A geração automática do pórtico espacial
permite que o engenheiro faça verificações rápidas e precisas do edifício, mesmo em
casos corriqueiros, do ponto de vista de seu comportamento global, analisando
deslocamentos no topo da edificação, esforços solicitantes nas vigas e pilares, cargas
nas fundações e, principalmente, verificando se o pré-dimensionamento dos elementos
estruturais está adequado ou não para as diversas condições de carregamento.
O engenheiro também pode controlar o modelo
gerado automaticamente, fazendo alterações internas para a simulação de
plastificações em determinados pontos da estrutura e do efeito de não linearidade
física dos materiais, através da modificação da rigidez dos elementos estruturais.
Esta facilidade e agilidade para a
verificação e diagnóstico dos elementos estruturais, submetidos a uma análise
rigorosa, dá ao projetista as condições básicas para a definição do modelo
estrutural mais adequado, com segurança e em tempo hábil, considerando diversas
alternativas de soluções e a integração com outras modalidades de projeto.
3.4.1. Verificação
de efeitos de 2ª ordem
O deslocamento
horizontal do pórtico fará com que as cargas verticais provoquem momentos adicionais de
2ª ordem. A estimativa destes efeitos dificilmente é feita em edifícios baixos, que,
dependendo da rigidez global, também podem apresentar problemas de instabilidade em uma
determinada direção.
Um programa ligado ao
sistema de pórtico espacial permite calcular coeficientes de instabilidade global da
edificação, chamados de e, que estimam a importância dos efeitos de 2ª
ordem no edifício. O engenheiro, na etapa de pré-dimensionamento, pode fazer
simulações, aumentando ou diminuindo a rigidez da estrutura em função destes
coeficientes, obtendo uma estrutura mais segura e possivelmente mais econômica.
A verificação da
estabilidade global não garante a estabilidade individual dos pilares. Os pilares com
maior esbeltez devem ser analisados individualmente através do sistema de cálculo de
pilares.
3.4.2. Detalhamento
com esforços solicitantes do pórtico espacial
O detalhamento das
vigas e pilares pode ser feito com esforços solicitantes transferidos automaticamente do
pórtico espacial. Em vez de detalhar vigas com esforços determinados exclusivamente por
processo elástico, o projetista também pode optar por calcular as vigas
convencionalmente, considerando plastificações, e somar a estes esforços as
envoltórias de esforços de vento determinadas pelo pórtico. No caso dos
pavimentos-tipo, os esforços transferidos são as envoltórias entre pisos, onde para uma
determinada viga do piso se considera as envoltórias de esforços.
3.5. Análise de cargas verticais
por pórtico espacial
Além do efeito de cargas horizontais, as
solicitações devido ao peso próprio e sobrecarga podem ser calculadas considerando-se o
modelo de pórtico espacial.
Como todas as informações geométricas e de
carregamentos foram definidas por ocasião do lançamento da fôrma, a determinação das
solicitações nos elementos estruturais, para cargas verticais considerando o modelo de
pórtico espacial, é imediata, pois todo o modelo para cargas verticais também é criado
automaticamente.
Combinações de carregamentos quaisquer podem
ser definidas pelo projetista para simulação de condições de carregamentos especiais
e/ou aplicação de coeficientes de majoração de esforços mais adequados ao modelo.
Após o processamento das solicitações pelo
modelo de pórtico espacial, são realizadas as transferências de momentos fletores,
torsores e forças cortantes para os elementos de vigas, pilares e lajes sob o total
controle do projetista.
4. Dimensionamento, detalhamento e desenho
Escolhido o modelo de cálculo, o dimensionamento, detalhamento e
desenho dos elementos de vigas, pilares, lajes e fundações é automático. Uma grande
variedade de critérios de detalhamento é parametrizada, mudando de projetista para
projetista.
Os sistemas de dimensionamento, a partir dos esforços calculados,
verificam as armaduras necessárias para os elementos estruturais de lajes, vigas, pilares
e fundações, mostrando quando os esforços não são compatíveis com as seções
escolhidas, quais as flechas em serviço e fissuração. Num processo interativo, o
engenheiro refina o lançamento da estrutura até obter uma modelo bem dimensionado. Além
das dimensões dos elementos estruturais, o engenheiro pode fazer simulações mudando
tabelas de bitolas, alojamento e comprimento de ferros da usina de modo a otimizar a
utilização de aço.
Mesmo com o desenho automático, nem todos os modelos estruturais que
ocorrem no dia-a-dia podem ser previstos por programa. O engenheiro tem então condição
de modificar interativamente os desenhos gerados, através de um editor gráfico
orientado. Todas as alterações nos desenhos de armadura são automaticamente
consideradas na tabela de ferros. Qualquer modificação pode ser realizada nestes
desenhos, tal como a introdução de furos, seções não padronizadas, reforços,
rebaixos etc.
4.1. Detalhamento de lajes
O cálculo convencional de lajes pode ser feito
por processo elástico ou de ruptura. Quando as lajes são calculadas por grelhas ou
elementos finitos (lajes maciças ou nervuradas), deve-se transferir os esforços
calculados para o detalhamento.
O detalhamento das lajes de formato qualquer
(convencionais, maciças ou nervuradas) é feito de modo semi-automático através de
editor gráfico interativo desenvolvido especificamente para esta finalidade. Neste
processo interativo o engenheiro seleciona:
faixas de armadura constante;
curvas de isovalores de momentos
fletores;
armadura de base e complementar;
disposição de armaduras (distribuída
/ concentrada);
faixas para cisalhamento constante.
4.2. Detalhamento de vigas
O cálculo de vigas pode ser feito com
esforços determinados por processo de viga contínua, grelha, elementos finitos ou
pórtico espacial. Mesmo o cálculo por viga contínua permite refinamentos como
consideração de alternância de cargas, rigidez de apoio, consideração de
plastificações etc.
Uma extensa gama de critérios de projeto está
disponível para utilização do projetista. Podem-se escolher critérios de cálculo de
flechas, ancoragem de armaduras positivas e negativas, detalhamento ao cisalhamento,
armadura de suspensão, armadura lateral, representação gráfica das armaduras etc.
Estes critérios garantem a adequação do desenho final às necessidades específicas do
projetista e à economia do consumo de armaduras.
Os desenhos de vigas são os que produzem maior
volume de desenhos dentro de um projeto de edificações. A automação no
dimensionamento, detalhamento e desenho permite que o grande esforço repetitivo de
cálculo e desenho seja transferido para o computador, liberando o engenheiro para tarefas
mais nobres de análise. A distribuição de desenhos de vigas armadas nas plantas é
feita por programa, podendo ser modificada pelo engenheiro.
4.3. Detalhamento de pilares
Para cálculo de pilares podem ser consideradas
cargas centradas ou excêntricas, esforços devido a vento distribuídos
simplificadamente, esforços de vento calculados por pórtico plano e pórtico espacial. O
sistema de cálculo, dimensionamento e detalhamento de pilares determina as armaduras
necessárias para resistir a esforços de flexão composta oblíqua em seções de
qualquer formato.
Similarmente ao detalhamento de vigas, o
cálculo de pilares é governado por inúmeros critérios de projeto tais como: cálculo a
compressão, flexão composta normal, flexão composta oblíqua, excentricidades,
combinação de carregamentos, alojamentos de armaduras na seção transversal,
representação de desenhos, seleção de bitolas etc. Estes diversos critérios asseguram
a adequação do detalhamento às normas usuais de desenho de cada projetista, à economia
de armaduras e garantia da solução técnica para o dimensionamento e detalhamento. São
tratados automaticamente tanto pilares retangulares como poligonais.
Assim como no sistema de vigas, os desenhos
são gerados por programa e podem ser alterados através de interação gráfica. A
distribuição de desenhos em planta é automática.
4.3.1. Detalhamento
de fundações
Com as forças normais
e momentos calculados nas bases dos pilares, o sistema de fundações dimensiona e detalha
sapatas e blocos sobre estacas, seguindo a mesma filosofia dos demais sistemas.
4.3.2. Outros
elementos estruturais
Para outros elementos
estruturais de concreto armado, exceção feita aos elementos de vigas, lajes, pilares,
blocos e sapatas, oferece-se uma importante ferramenta computacional para o desenho das
armaduras, denominado armação genérica de concreto armado.
Para os elementos do
tipo escadas, caixas-d'água, muros de arrimo, cortinas, etc. toda a representação e
desenho de fôrmas e armaduras pode ser realizada pelo sistema de armação genérica.
Embora ainda não se faça o cálculo de solicitações e dimensionamento automaticamente,
a maior dificuldade no projeto destes elementos é a elaboração do desenho final, tarefa
já equacionada por este sistema de armação genérica.
5. Interfaces com projeto e construção
Com a estrutura dimensionada adequadamente, os desenhos de fôrmas de
concreto criados pelo projetista de estruturas podem ser transportados para o arquiteto
lançar o projeto executivo. A coordenação do projeto global da edificação fica bem
mais simples com a troca de desenhos entre estruturas, arquitetura, hidráulica, elétrica
e outras instalações.
O sistema de formas gera automaticamente também um desenho
tridimensional da estrutura. Este desenho pode ser transportado para programas gráficos
com capacidade de visualização tridimensional, remoção de linhas invisíveis,
geração de imagens com sombreamento e texturas, visualização animada etc.
Além das interfaces de projeto, o sistema gera dados para
processamento de aço e madeira para a montagem da estrutura.
5.1. Corte de barras
O planejamento de corte e dobra de aço é
desenvolvido com dados vindos diretamente dos sistemas de detalhamento de armaduras. Um
sistema usado pela construtora faz otimização do corte de barras, emite relatórios de
controle e etiquetas, romaneio de embarque em caminhões, permitindo racionalizar o corte,
diminuir perdas e organizar o canteiro de obras.
5.2. Fôrmas de madeira
O custo das fôrmas de madeira não pode ser
desprezado no projeto da estrutura, nem na sua montagem. Um sistema específico de projeto
de fôrmas de madeira permite gerar de maneira automática o projeto executivo das fôrmas
de madeira de toda a edificação, tendo como base as fôrmas de concreto lançadas pelo
projetista estrutural.
Os elementos lineares (caibros, sarrafos etc.)
gerados têm o corte planejado do mesmo modo que o aço. Já os elementos planos (painéis
de vigas, pilares e lajes) podem ter o planejamento de corte efetuado interativamente,
através de um editor gráfico orientado.
6. Conclusões
A crescente demanda por edifícios maiores e mais esbeltos, que devem
ser projetados e executados com prazos e orçamentos cada vez menores, obriga os diversos
profissionais envolvidos a projetar mais rápido e melhor, usando todas as ferramentas
disponíveis.
O projetista estrutural em particular, com o grau de responsabilidade
que lhe cabe, precisa estar apto a calcular estruturas complexas com o mínimo de
incertezas, garantido segurança, estabilidade e economia ao empreendimento.
Neste contexto, a utilização de ferramentas de computação gráfica
é um caminho seguro para a análise de estruturas complexas, o teste de soluções
alternativas e melhor integração com o projeto global da edificação e execução da
obra.
(1) os desenhos que ilustram a
matéria na revista foram suprimidos, tendo em vista que sua visualização acarretaria um
acréscimo enorme no tempo de abertura do arquivo. Entretanto, tentamos fazer com que isso
não representasse prejuízo ao entendimento do conteúdo.
Autores: Eng. Nelson Covas e Eng. Abram Belk, diretores da TQS lnformática Ltda.
Tecnologia e Qualidade em Sistemas, na Revista Qualidade na Construção - SindusCon/SP -
nº 19 - Ano II - 1999.
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