
GERENCIAMENTO DE
PRODUÇÃO
A preocupação do setor com problemas de gestão empresarial,
tais como a qualidade, a produtividade, o planejamento e o controle da produção cresce a
cada dia. Sabe-se também da necessidade das empresas de possuir orçamentos enxutos.
Gostaríamos de fazer um pequeno aporte à questão nos referindo ao orçamento como uma
das ferramentas básicas para o gerenciamento e mostrando como as empresas podem tirar o
maior partido da utilização desse importante recurso durante o processo produtivo.
O orçamento, sem dúvida, é uma ferramenta imprescindível para
o gerenciamento geral da empresa e, em particular, para cada uma das obras. É o elemento
de referência para o planejamento e para o controle do desenvolvimento da produção. Ali
são definidas as quantidades físicas de cada um dos vários serviços e as atividades
que compõem a obra. Para a avaliação dos consumos e custos dessas atividades são
utilizados os coeficientes de rendimentos existentes no acervo da própria empresa ou
outros existentes no mercado.
É de praxe que a organização do orçamento seja feita seguindo
um processo mais ou menos linear, acompanhando as grandes linhas das diferentes atividades
que compõem uma edificação. Assim, temos as fundações, a estrutura de concreto, a
alvenaria, os acabamentos etc. Acreditamos que essa estrutura tradicional dos orçamentos
nem sempre responde às necessidades das construtoras, ainda mais quando as empresas
estão empenhadas em tirar o máximo proveito das atuais técnicas de planejamento,
execução e controle.
Por isso, devemos pensar em uma outra organização dos
orçamentos. A discriminação deve ser bem ampla, pois, quanto mais precisas sejam as
previsões no orçamento, maiores serão as possibilidades de realizar um planejamento
adequado. Ainda na fase das quantificações das tarefas e, em especial, no momento da
"montagem", é necessário que o orçamento responda às necessidades da obra e
que não seja apenas um instrumento para prover dados referentes aos custos.
Na hora de montar essa ferramenta de gestão, é preciso
identificar os vários ciclos de atividades pelos quais será desenvolvido o trabalho.
Dessa forma, assegura-se a efetividade da ferramenta durante o ciclo da produção e a
empresa pode se antecipar às demandas que vão aparecer na hora do planejamento e na hora
de fazer as medições de controle durante a execução.
A seqüência desses ciclos será determinante no fluxo das
atividades dentro do canteiro. Fica claro, então, que existe uma forte integração entre
o planejamento, o orçamento, a produção e o controle. Trata-se de um processo de ida e
volta que envolve os principais protagonistas do processo. Perder a oportunidade de
trabalhar com essa integração significa também desperdiçar melhoras no processo da
produção.
Voltando à organização do orçamento, vamos dividir os
processos e promover o gerenciamento de pequenas partes dentro do todo, tentando aplicar
esses conceitos para a organização do orçamento. Cada ciclo pode ser dividido em
pequenas partes que vão facilitar as tarefas de gerenciamento na hora de planejar e na
hora de controlar. A possibilidade de dividir cada tarefa em outras ainda menores permite
esmiuçar as atividades nos mínimos detalhes, possibilitando uma análise mais profunda
do conjunto. Isso é fundamental para um gerenciamento adequado do empreendimento, desde a
programação até a finalização e entrega da obra.
A análise desses ciclos permitirá aos construtores definir as
seqüências das atividades das pequenas unidades de produção. O profissional saberá,
assim, em quais unidades será mais fácil aplicar os recursos previstos e poderá avaliar
as necessidades de alterações, além de, caso seja preciso, remanejar as previsões para
o conjunto de tarefas. Detalhe importante: os ciclos devem ser definidos de maneira que
sejam compatíveis com a totalidade das tarefas. isso significa que, quando concluído, um
ciclo não deve possuir tarefas pendentes oriundas de outros ciclos.
O orçamento deve responder a isso, estabelecendo uma seqüência
de ciclos de produção, cada um dimensionado e mensurável na hora de avaliar resultados.
Um bom exemplo consiste na execução dos acabamentos de um banheiro, que inclui tarefas,
como a impermeabilização de zonas molhadas, reboco para revestimento, regularização de
contrapisos, revestimento de paredes e pisos e todos os demais serviços necessários para
completar a atividade denominada "acabamento de banheiro".
Entramos, então, no processo da produção. O ciclo tradicional
para a montagem de um orçamento diz que cada uma das atividades incluídas é dividida em
vários serviços. Só que essa divisão não é suficiente; é possível continuar
dividindo e detalhar todo o processo de produção nas atividades de concreto armado, por
exemplo. Devemos continuar a análise, subdividindo as tarefas até o limite que
considerarmos conveniente. O concreto, por exemplo, poderá continuar a ser dividido nos
diversos elementos e atividades que o compõem. Ao mesmo tempo, podemos incorporar
pequenas unidades de produção de tarefas vinculadas, completando ciclos que possam ser
gerenciados por si mesmos.
Concluímos, então, que podemos organizar o orçamento e
assegurar que seja uma ferramenta indispensável para o gerenciamento da produção.
Podemos perceber que, a partir dessa subdivisão dos processos e da organização da
produção em pequenos ciclos, aumentam as possibilidades de gerenciar melhor as obras.
Como diz o provérbio, "quando as coisas pequenas são dominadas, as grandes
tornam-se possíveis".
Autor: Arq. Ruy Varalla, na Revista
Construção - Ed. Pini - nº 2707 - 27/12/99.
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